Especialistas falam sobre remédios para emagrecer e cirurgia bariátrica

O endocrinologista João Salles explicou como funciona um remédio usado para diabéticos que ajuda a perder o peso. Quais as vantagens e desvantagens? E a cirurgia bariátrica, quando é opção?

Muitas vezes perder aqueles quilinhos extras é o grande desejo da maioria das mulheres. Por este motivo remédios para emagrecer se tornam um aliado neste luta. O mais recente medicamento para emagrecer liberado pela Anvisa é o liraglutida. O remédio diminui a fome e aumenta a taxa metabólica basal. Ele age no cérebro sem aumentar os neurotransmissores, mas também causa náuseas.

Outros medicamentos já liberados são a sibutramina e o orlistat. A sibutramina baixa a saciedade e aumenta a taxa metabólica basal. Ela aumenta a serotonina e a noradrenalina, mas também aumenta a pressão, frequência cardíaca e prende o intestino. Já o orlistat elimina o excesso de gordura ingerida na alimentação. A ação ocorre no intestino e não interfere no sistema nervoso central. O remédio pode causar diarreia se a ingestão de gordura for muito grande.

O endocrinologista e consultor do programa Alfredo Halpern lembra que a obesidade é uma doença. “Obesidade, assim como outras doenças crônicas, exige que muitos pacientes tomem remédio para emagrecer. Isso porque o apetite é variável de pessoa para pessoa e muitos obesos têm apetite exagerado.”

Por isso, pessoas com compulsão ou fatores de risco associados à obesidade, como colesterol e diabetes podem precisar, a critério médico, de remédios para auxiliar no tratamento. Vale lembrar que ele não é solução, é uma ajuda. Medicamentos com sibutramina só podem ser tomados por quem tem IMC maior ou igual a 30 e por, no máximo, dois anos.

Muita gente não consegue manter a dieta e acaba sofrendo com o efeito sanfona. “Os remédios não são maus para todo mundo, nem bons para todo mundo. Pode funcionar para um e não funcionar para outro. Se um remédio para obesidade funcionar para 40%, 50% das pessoas, já está bom. O remédio deve funcionar desde o começo. Se no primeiro mês você não perder peso, não serve pra você”, alerta Halpern.

E você sabia que a comida vicia? Um estudo apontou que comidas que são rapidamente processadas e que aumentam rapidamente o índice glicêmico são as que mais viciam. Veja as principais: pizza, chocolate, salgadinhos, sorvete, batata frita, cheeseburger, refrigerante, bolo e queijo.

André Marques e Leandro Hassum são os exemplos mais recentes de famosos que surpreenderam pela transformação drástica da silhueta: o apresentador perdeu cerca de 70kg ao longo de um ano e o humorista está 32kg mais magro. O que eles têm em comum, além do recém-conquistado físico, é que ambos recorreram à cirurgia bariátrica ou metabólica, também conhecida como cirurgia de redução do estômago. Hoje, o eterno Mocotó exibe orgulhoso seu tanquinho nas redes sociais, enquanto Hassum – que foi incentivado pelo colega a realizar a operação -, aos 41 anos, já falou sobre as vantagens da circunferência menor, como conseguir amarrar o próprio sapato.

 Cirurgia baritrica: entenda os mitos e verdades sobre a reduo de estmago (Foto: Reproduo / Instagram)

No Brasil, o índice de obesos entre as pessoas acima de 18 anos está na casa dos 18%, o que corresponde a mais de 37 milhões de brasileiros, segundo dados do Ministério da Saúde. Outra estatística que cresce é a dos indivíduos que procuram a cirurgia bariátrica: somente entre 2003 e 2010, o número de operações subiu de 16 mil para 60 mil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, incluindo os atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS). Mas a cirurgia de redução do estômago ainda levanta muitas dúvidas e desconfianças sobre quem pode ou deve recorrer a esse tipo de procedimento, quais são os riscos envolvidos e a possibilidade de voltar a engordar após um tempo. Confira abaixo alguns mitos e verdades sobre o procedimento:

  • Estou acima do peso e já tentei de tudo: posso fazer a cirurgia?
    MITO. A opção pela cirurgia bariátrica deve partir, é claro, do acordo entre médico e paciente de que as tentativas de mudança de hábitos – adoção de uma dieta equilibrada e rotina de exercícios – e até o uso de remédios emagrecedores não estão surtindo efeito no tratamento da obesidade. Ainda assim, como explica o integrante da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Marcus Dantas, para ser candidato à cirurgia é preciso ter IMC (Índice de Massa Corporal) igual ou maior que 40kg/m² há dois anos, ou acima de 35kg/m², no caso de indivíduos que apresentem complicações como diabetes, hipertensão arterial e apneia do sono. Em 2012, o Ministério da Saúde reduziu a idade mínima para realizar a cirurgia pelo SUS de 18 para 16 anos, havendo a necessidade de indicação e consentimento por parte da família ou do responsável legal. Já para pessoas acima de 65 anos, recomenda-se uma avaliação individual que leve em consideração o risco cirúrgico, a expectativa de vida e os benefícios do emagrecimento. O estado psicológico do paciente e possíveis transtornos alimentares devem ser avaliados e tratados previamente, segundo o gastroentereologista Jorge Hage Zbeidi, que também destaca a importância do comprometimento individual. “Pacientes que não tenham bom entendimento da cirurgia e disposição a aderir ao tratamento estão contraindicados a serem submetidos ao procedimento. É preciso saber que a cirurgia irá mudar o dia-a-dia dessa pessoa.”
  • Posso precisar perder alguns quilos antes de me submeter à cirurgia?
    VERDADE. Muitas pessoas já ouviram falar do balão intragástrico sem, no entanto, conhecer muito sobre a cirurgia bariátrica. Trata-se de um procedimento não-cirúrgico realizado por endoscopia como parte do pré-operatório que visa diminuir a capacidade gástrica e promover a saciedade. É indicado para pacientes com super obesidade, isto é, IMC acima de 50kg/m² e por um período de até seis meses. Perder um pouco de peso pode ser um dos procedimentos pré-operatórios indicados, juntamente com uma avaliação clínico-laboratorial – com aferição da pressão arterial, dosagens da glicemia, lipídeos sanguíneos e avaliação das funções hepática, cardíaca e pulmonar – e endoscopia digestiva e ecografia abdominal.
  • Existem várias técnicas diferentes do procedimento?
    VERDADE. A cirurgia bariátrica divide-se entre as de tipo restritivo, aquelas que reduzem o tamanho do estômago e, consequentemente, a ingestão de alimentos; as disabsortivas, que promovem um desvio no trânsito intestinal, diminuindo a capacidade de absorção de alimentos; e as mistas. Entre as técnicas mais comuns estão a gastrectomia vertical ou Sleeve, que reduz o estômago, e a gastroplastia em Y de Roux ou By-pass, que também atua sobre o intestino. “Os resultados são comparáveis entre as técnicas, no entanto, dependendo do perfil do paciente, em especial da presença de doenças associadas à obesidade, uma técnica pode ser a mais indicada do que a outra”, explica Marcus Dantas, cirurgião geral especialista em cirurgias da obesidade. 
  • O risco de anemia e déficit nutricional é comum entre os pacientes?
    VERDADE. Os pacientes submetidos à cirurgia bariátrica têm maior chance de desenvolverem complicações nutricionais, como anemia por deficiência de ferro, vitamina B12, ácido fólico, vitamina D e cálcio e até desnutrição. Quanto mais disabsortiva for a cirurgia, mais difícil se torna a absorção e mais importante passa a ser o acompanhamento profissional com o objetivo de elaborar uma dieta adequada, incluindo suplementos vitamínicos. “As cirurgias disabsortivas são, atualmente, uma exceção, exatamente pelos problemas metabólicos e nutricionais que podem causar. Hoje, não representam nem 3% das cirurgias realizadas no mundo, e estão reservadas para casos mais graves, em pacientes super-obesos e com graves problemas associados”, explica o cirurgião.
  • A cirurgia plástica pós-bariátrica é um procedimento indispensável?
    PARCIALMENTE MITO. A cirurgia plástica pode ser necessária no caso de alguns pacientes que se submetem à cirurgia bariátrica quando a perda de peso chegou no seu ponto máximo. “Os pacientes geralmente perdem mais de 20kg, dificilmente não fica pele excedente, então é raro a cirurgia plástica ser dispensada”, afirma Naila Alves, cirurgiã plástica especialista em reconstrução pós-bariátrica. De acordo com Marcus Dantas, o tempo recomendado para a realização do procedimento após a bariátrica varia de paciente para paciente, mas costuma ser de 18 meses.  De acordo com o cirurgião plástico Marco Cassol, algumas pessoas não se sentem completamente confortáveis em seu corpo depois da cirurgia de redução de estômago. “É muito comum, depois da bariátrica, o paciente nos procurar porque o ‘avental’ – dobra de pele que se forma na região do abdômen – está incomodando ou ele não consegue usar uma roupa ou estar no convívio social”, conta. Nesses casos, a abdominoplastia e a lipoaspiração.são as mais procuradas.
  • A cirurgia bariátrica ajuda a reduzir o risco de doenças graves?
    VERDADE. Os benefícios da cirurgia bariátrica, além da perda de peso, incluem a melhora no quadro doenças associadas à obesidade, como diabetes e hipertensão arterial, o aumento da longevidade e a elevação da qualidade de vida. Alguns estudos que já estão sendo conduzidos também apontam para possíveis efeitos positivos da cirurgia para a redução dos riscos de desenvolver a doença de Alzheimer. “Existe uma teoria que sugere que a doença é decorrente de uma falta de oxigenação crônica do cérebro. A obesidade severa induz também a hipoxigenação cerebral, de forma que, uma vez tratando a obesidade, há melhor oxigenação cerebral e, portanto, menor chance de desenvolvimento da doença”, explica Marcus Dantas.
  • Não vou precisar fazer dieta nunca mais?
    MITO. “Voltar a ganhar peso após a cirurgia é uma possibilidade real. Para evitar isso é preciso acompanhamento multidisciplinar (cirurgião, psicólogo e nutricionista) no pós-operatório”, aponta Jorge Hage Zbeidi. Além disso, o paciente precisa realmente estar consciente da necessidade de uma mudança de hábitos, adotando uma alimentação mais saudável e menos calórica e praticando atividade física regularmente. “Os resultados insatisfatórios, seja por perda insuficiente de peso, seja por reganho de peso, são pouco frequentes. Geralmente estão relacionados a acompanhamento pós-operatório irregular ou hábitos de vida inadequados”, reforça Marcus Dantas.
  • É recomendável esperar um tempo após a cirurgia para tentar engravidar?
    VERDADE. Embora a obesidade esteja relacionada à gravidez de risco e, após o emagrecimento haja uma melhora da fertilidade, não é indicado que a gestação ocorra logo após a realização de uma cirurgia de redução de estômago. “Recomenda-se que só ocorra após dois anos”, afirma Marcus Dantas.
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