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Alimentos passam a ter de listar ingredientes alergênicos nos rótulos

Os rótulos dos alimentos passam a ter de sair da fábrica com informação sobre ingredientes alergênicos a partir deste domingo (3). São 17 os itens a serem listados, como trigo, crustáceos, leite e nozes. A decisão partiu da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda em 2015 e foi reforçada no início de junho.

Aprovada em junho do ano passado, a resolução obriga a indústria alimentícia a informar nas embalagens dos produtos se há presença dos principais alimentos que causam alergias alimentares. O regulamento abrange tanto alimentos e quanto bebidas, ingredientes e aditivos.

Os rótulos dos produtos fabricados a partir de agora deverão informar se os alimentos possuem alguns dos seguintes alimentos: trigo (centeio, cevada, aveia e suas estirpes hibridizadas); crustáceos; ovos; peixes; amendoim; soja; leite de todos os mamíferos; amêndoa; avelã; castanha de caju; castanha do Pará; macadâmia; nozes; pecã; pistaches; pinoli; castanhas, além de látex natural.

As indústrias compartilham equipamentos para a produção de vários alimentos. Por isso, é comum que frações de alguns ingredientes apareçam involuntariamente em um produto diferente que passará logo depois pela mesma máquina — descreve José Carlos Perini, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia. — A norma também proporcionará mais destaque aos rótulos, que terão fundo branco ou amarelo, com letras pretas e garrafais. Hoje é comum ver estes avisos com fundo azul e inscrições brilhantes. Não dá para ler nem com lupa.

A Anvisa determinou também a forma de dispor esses dados. Os detalhes sobre alergênicos deverão ser exibidos logo abaixo da lista de ingredientes. Além disso, as palavras têm de estar em caixa alta, em negrito e com cor diferente do rótulo. A letra não pode ser menor do que a da lista de ingredientes.

Os derivados desses produtos deverão trazer na embalagem as seguintes informações:

– Alérgicos: Contém (nomes comuns dos alimentos que causam alergias alimentares);
– Alérgicos: Contém derivados de (nomes comuns dos alimentos que causam alergias);
– Alérgicos: Contém (nomes comuns dos alimentos que causam alergias alimentares) e derivados.

A linguagem também é alvo de críticas:

— Antes falava-se, por exemplo, que um produto contém albumina. Pelo menos 99% da população não deve saber que isso é o mesmo que clara de ovo. Também escrevem caseína, quando poderiam simplesmente escrever “leite” — explica Perini.

Segundo o alergista, as multinacionais são mais zelosas na elaboração dos rótulos, para que a entrada de seus produtos seja facilitada em todos os países.

A alergia alimentar aflige cerca de 10 milhões de brasileiros, o equivalente a 5% da população. Os produtos mais evitados variam de acordo com a região. No litoral, por exemplo, a alergia mais comum é a crustáceos. No interior, a leite. E depois estão castanhas, nozes e soja.

Os fabricantes tiveram um ano para adequar as embalagens às novas regras. Os produtos fabricados até o fim do prazo de adequação, poderão ser comercializados até o fim do prazo de validade.

Segundo o diretor-relator da matéria, Renato Porto, a demanda nasceu “fortemente da sociedade”, o que fez com que toda a diretoria votasse unilateralmente pela regulamentação.

“A sociedade pode agora ter certeza que terá rótulos de produtos muito mais adequados, que vão dar a possibilidade do consumidor de escolher adequadamente seus produtos, dado que a melhor maneira de se prevenir [de uma crise alérgica] é evitando o consumo”, explicou.

Segundo a Anvisa, no Brasil, de 6% a 8% das crianças de 6 a 8 anos sofrem de algum tipo de alergia.

Vencida a batalha dos rótulos, José Carlos Perini já pensa em novos embates. Sua próxima reivindicação é que as informações sobre o conteúdo dos produtos alergênicos também sejam incluídas no cardápio de restaurantes, uma medida comum na Europa.

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