Bebês desmamados cedo demais podem desenvolver doenças

Bebês desmamados cedo demais podem desenvolver doenças na vida adulta

No fim de julho, a fotógrafa norte-americana Jade Beall publicou no Facebook uma imagem em que amamenta o filho de três anos, repetindo o que já havia feito a compatriota Jamie Grunet, capa da revista Time em 2012, também amamentando o filho de três anos. A foto, que visava criar uma discussão sobre a amamentação prolongada, teve mais de 10 mil curtidas e mil compartilhamentos, até esta quinta-feira (6/8), de pessoas contra e a favor.

Esse tipo de amamentação não traz nenhum prejuízo nem para a criança nem para a mãe. Há quem acredite que a atitude gera dependência na criança, mas não existe nenhuma comprovação. De acordo com a coordenadora de aleitamento no DF, Miriam Santos, o leite materno só traz benefícios aos bebês: “É o melhor alimento que a criança pode ter. Tem proteínas e carboidratos necessários para o desenvolvimento do ser humano”, destaca.

Segundo a pediatra Vanessa Corvino, do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), até hoje, nenhum alimento conseguiu reproduzir todos os benefícios do leite. “É o que apresenta a melhor absorção pelo corpo humano. O leite de vaca, por exemplo, não tem a mesma absorção. Além disso, ajuda no sistema imunológico e, até mesmo, na maturação do intestino. Nenhum alimento substitui o leite materno”, conclui.

Ao menos no Brasil, a fotógrafa Jade Beall seria uma exceção. Normalmente, os bebês são desamamentados ainda cedo, por volta dos 11 meses de vida, por inúmeras razões, como a volta da mulher ao trabalho. Mas o que ocorre quando esse “cedo” é cedo demais?

A mãe que decide desmamar precocemente pode trazer problemas para o bebê. A falta do leite materno prejudica a imunidade, dificulta o desenvolvimento da criança, afeta o vínculo com a mãe e atrapalha o crescimento do bebê. Essa falta pode prejudicar também a aceitabilidade da criança com novos alimentos.

A insuficiência desse leite pode refletir também na idade adulta. “A criançaque não continua ao longo da primeira infância a receber o leite materno tem chances de desenvolver anemia e doenças crônicas, como diabetes e pressão alta”, explica a pediatra Renata Monteiro.

De acordo com o Ministério da Saúde, o ideal é a criança tomar leite materno até, no mínimo, os dois anos de idade. Nos primeiros seis meses, apenas o leite é suficiente para suprir todas as necessidades do bebê. Após esse tempo, a mãe continua amamentando com o suplemento de outros alimentos.

Redijane Dourado tem uma filha de 3 anos que tomou leite materno até os 2. “Minha pequena mamou até os dois anos. Se eu pudesse, amamentaria por mais tempo, mas ficou difícil, tinha que voltar a trabalhar”, disse.

Na semana mundial de aleitamento materno, que se encerra nesta sexta-feira (7/8), há eventos por todo o país voltados para a saúde da criança. Neste ano de 2015 a campanha está na sua 24ª edição e o tema escolhido, pela Aliança Mundial de Ação pró-Amamentação, foi “Breastfeeding and Work – Let’s Make it Work!” , traduzido para o português como “Amamentação e Trabalho: Para dar certo, o compromisso é de todos.”

Por: Dr. Renato Barra / Categoria: Destaque Notícias

11 de agosto de 2015

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