Células-tronco: inovação ainda esbarra na burocracia brasileira - IMEB

Células-tronco: inovação ainda esbarra na burocracia brasileira

Testes com essas células podem auxiliar indústria farmacêutica a criar novos medicamentos.

Durante o 1º Fórum sobre Células-Tronco promovido pela R-Crio – centro de tecnologia celular especializado no armazenamento de células-tronco provenientes do dente de leite –, pesquisadores e o empresário José Ricardo Muniz Ferreira, Presidente da companhia, discutiram as diferenças que existem na pesquisa científica realizada no Brasil e em outros países.

“Temos áreas da biomedicina em que o uso de células-tronco para fins de regeneração está avançado, como o caso de tecidos ósseos e de córneas. O uso de células-tronco para estudos e desenvolvimento de novas drogas está evoluindo e deverá, inclusive, mudar a forma de pensar da indústria farmacêutica”, aponta Ferreira, que também é membro da International Society for Stem Cell Research (ISSCR).

Na ocasião, a burocracia brasileira que os pesquisadores têm de enfrentar para estudos de novas terapias e testes de drogas foi apontada como um dos principais entraves para o crescimento do setor no país. Karina Griesi Oliveira, doutora em genética pela Universidade de São Paulo e pela Universidade da Califórnia – San Diego, comenta que os cientistas brasileiros sofrem com a falta de agilidade até para a obtenção de materiais simples.

“Aqui, para se obter um reagente o tempo de espera é de mais de um mês, enquanto nos Estados Unidos o mesmo produto é obtido em dois ou três dias”, explica. “Hoje, o brasileiro não deixa nada a desejar na ciência, quando comparado a pesquisadores de qualquer outro país do mundo. Tive a oportunidade de fazer estudos lá fora e sei o quanto os profissionais daqui são reconhecidos. Capacidade para fazer novas descobertas não falta. O que nos atrapalha é a burocracia”, diz.

Segundo Roberto Fanganiello, pós-doutor do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP, os países que mais se destacam em pesquisas com células-tronco são os Estados Unidos, Canadá e Japão. Mas Fanganiello também comentou a pressão que a comunidade científica sofre naqueles países. Foi citado o caso dos trabalhos publicados na revista científica Nature por uma equipe nipo-americana, em janeiro de 2014, propondo o uso de banhos de ácido para obtenção de células-tronco pluripotentes a partir de células adultas. A estratégia se mostrou inconsistente, quando outros laboratórios não conseguiram repetir o processo.

O desenrolar do caso foi trágico: em agosto do ano passado, um dos coautores dos trabalhos,  Yoshiki Sasai, um renomado pesquisador no campo das células-tronco, cometeu suicídio depois de dizer que tinha sido humilhado. “É inegável que as células-tronco são a ‘bola da vez’ na medicina. Por isso é importante que cada país tenha uma comissão que conduza um monitoramento e acompanhamento desses trabalhos, que deverá se estender inclusive para o período posterior à aplicação de terapias com o uso dessas células”, diz Fanganiello.

Por: Dr. Renato Barra / Categoria: Destaque Notícias

13 de novembro de 2015

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