DIA DO AMIGO: amizade faz bem à saúde - IMEB

DIA DO AMIGO: amizade faz bem à saúde

Isolamento social causaria mais doenças do que fumo, obesidade ou alcoolismo

O poeta inglês John Donne estava gravemente doente quando escreveu, em 1624, os seus mais famosos versos “Nenhum homem é uma ilha, inteiramente isolado, todo homem é um pedaço de um continente, uma parte de um todo”. Séculos depois, um levantamento da Universidade Brigham Young, nos EUA, dá validade científica àquele texto. Segundo os pesquisadores, optar por uma vida sem interação social faz mal à saúde. A solidão provoca efeitos mais devastadores do que o alcoolismo, a obesidade ou o sedentarismo.

A psicóloga Julianne Holt-Lunstad capitaneou um grupo que comparou 148 estudos, realizados entre 1982 e 2006. As mais de 308 mil pessoas submetidas á análise foram acompanhadas, em média, por sete anos e meio. Todas deram informações detalhadas sobre suas interações sociais. Conclusão: aquelas que contavam com relacionamento bem constituídos  usufruíram de um risco 50% menor de adoecer.

A força das relações sociais era medida de diversas formas: o número de amigos íntimos, o trato com a família, o engajamento em organizações comunitárias. Quanto mais diversa a rede de relacionamentos, maiores as chances de uma vida saudável.

Os resultados permaneceram estáveis mesmo considerando fatores específicos, como faixa etária, sexo ou as condições de saúde da pessoa durante o início da pesquisa.

A utilidade de um amigo vai de um cafuné ao encontro de um sentido para viver. De acordo com o levantamento, quando alguém pertence a um grupo e se sente responsável por outra pessoa, a sensação de ter um propósito a faz assumir menos riscos e a cuidar melhor de si própria.

– Não ter uma rede social é um fator de risco tão importante como fumar ou ser sedentário – defende Julianne – A comunidade médica ainda não reconhece isso, provavelmente por não saber como reduzir este risco. É um problema desafiador e que requer inovações.

As sugestões de Julianne vão do campo psicológico (maior participação de amigos e parentes em tratamentos médicos) ao urbanístico (construir espaços urbanos que promovam a interação das pessoas). E a resposta deve ser urgente: nos últimos 20 anos, segundo a pesquisadora, o isolamento das pessoas tem aumentado. Nem o advento de redes sociais na internet alterou esta tendência.

– É improvável que você compartilhe suas confidências mais íntimas com alguém que não conhece pessoalmente – opina Julianne.

A pesquisa foi publicada na revista  “Public Library of Science

O QUE DIZ A PESQUISA

  • Não ter uma sólida rede social faz tão mal á saúde quanto fumar 15 cigarros por dia ou beber demais
  • É pior para a saúde do que sedentarismo e duas vezes mais grave do que ser obeso
  • A amizade e o amor da família podem ter um impacto positivo maior do que tomar remédios contra pressão alta.

Por: Dr. Renato Barra / Categoria: Destaque Notícias

20 de julho de 2016

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