Diferenças da mamografia digital e convencional - IMEB

Diferenças da mamografia digital e convencional

 

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é o segundo tipo mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres, respondendo por 22% dos casos novos a cada ano. Para o dia Nacional da Mamografia, 05 de fevereiro, a Dra. Simone Elias, coordenadora do ambulatório da disciplina de Mastologia do Departamento de Ginecologia da Universidade Federal de São Paulo, concedeu entrevista para a GE Healthcare a fim de explicar a diferença entre as tecnologias de mamografia e suas aplicações para o diagnóstico do câncer de mama.

Dentre os pontos reportados pela médica, podemos destacar o fato de que a realização da mamografia pode salvar muitas vidas, principalmente em pacientes em que o tumor ainda não é palpável, ou seja, possui menos de um centímetro. Nestas lesões as chances de cura podem chegar à 98%. Além disso, a especialista salientou os benefícios da mamografia digital para mulheres com mama densa, ou seja, uma mama com predomínio do tecido glandular (tecido que produz o leite), sobre o tecido gorduroso, já demonstrada em vários estudos.

1) A mamografia é um exame reconhecido mundialmente por sua eficiência em prevenção para a saúde da mulher. Mas é também uma tecnologia que evolui, por exemplo, com o desenvolvimento da mamografia digital, que ainda é pouco conhecida do público geral. Quais são as principais diferenças entre a mamografia analógica e a digital?
Inicialmente é muito importante salientar que a mamografia, seja analógica ou digital, deve ter um controle de qualidade efetivo para atingir seu objetivo final. Esse objetivo é o de detectar pequenas lesões suspeitas nas mamas, preferencialmente abaixo de um centímetro. Essas lesões serão submetidas à biópsia e, em caso de se tratarem de tumores malignos e essa mulher for tratada adequadamente, ela terá uma chance de cura de mais de 98%. Além disso, estudos mais recentes apontam para um melhor desempenho da mamografia digital nas mulheres com mamas densas. Isso acontece por que os tumores apresentam um aspecto semelhante ao do tecido mamário denso, o que dificulta sua identificação. Com a tecnologia digital, essa identificação pode ser melhorada.

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 2)  Do ponto de vista do paciente, qual é a vantagem em se usar esse tipo de exame?
Ambos os tipos de mamografia precisam de controle de qualidade para apresentarem uma imagem confiável para diagnóstico. Se a mamografia foi bem feita (posicionamento da mama na hora do exame), a imagem for de boa qualidade e o profissional que irá interpretar o exame (laudo) for capacitado, a diferença entre os métodos é muito pequena. Mas nas mulheres com mamas densas, a detecção de lesões é um pouco melhor.

 3) E para o médico? Quais as vantagens que a mamografia digital proporciona?
Para profissionais experientes não existe grandes diferenças. Acredito que o controle de qualidade na mamografia digital é um pouco mais fácil, pois depende de menos variáveis que a mamografia convencional. Existem certas ferramentas que podem auxiliar, como manipular o brilho e o contraste, inverter a imagem (preto-e-branco em branco-e-preto), zoom, entre outras. A comparação com os exames anteriores também pode ser mais fácil (quando o exame anterior também é digital). Na minha opinião, a maior vantagem é quando utilizamos a mamografia digital para fazer biópsias. Como a imagem fica disponível muito mais rapidamente (em segundos), o procedimento também é mais rápido, o que é muito melhor para a paciente e para toda a equipe envolvida.

 4) Do início do tumor até ele se tornar palpável, alguns especialistas estimam que transcorra um período de até 10 anos. Está correto? É nessa fase anterior ao tumor palpável que a mamografia de alta resolução torna-se importante? Por quê?
Sim. Esse intervalo é uma média para a maioria dos tumores de mama. A fase inicial do tumor é denominada tempo de permanência média: ele já existe, mas ainda não aparece em nenhum exame de imagem. Isso porque a quantidade de células ainda não é suficiente para formar uma lesão detectável. Depois  se continua com a fase na qual o tumor já existe, mas ainda não é palpável, chama-se fase subclínica. Nessa fase, também não existe qualquer sintoma ou sinal da doença, mas ele já pode aparecer na mamografia – nesse ponto já ocorreram cerca de 20 duplicações celulares, ou seja, 6 a 11 anos. É nessa fase que a mamografia consegue salvar muitas vidas: descobrindo as lesões ainda pequenas. Nessas lesões de até 1centímetro, as chances de cura chegam à 98%. Quando o tumor é palpável (maior que 1cm) denominamos de fase clínica. Aqui as células que iniciaram o tumor já sofreram em média 30 duplicações. Isso ocorre depois de 10 a 15 anos do início, quando a primeira célula perdeu seu controle e começou a crescer desordenadamente. Quanto maior o controle de qualidade e melhor a imagem, menor o tamanho da lesão que será detectada pela mamografia.

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 5) Detectar o câncer de mama em mulheres com mama densa pode ser mais difícil, mesmo com a tecnologia digital? Quais são as alternativas disponíveis para auxiliar as pacientes com esse tipo de tecido mamário? A mamografia com contraste pode auxiliar no diagnóstico nesses casos?
Sim. Devido às características que já mencionei anteriormente. Nas mulheres com mamas densas – que classificamos como padrão mamográfico IV (quatro) – mesmo a tecnologia digital pode não detectar as lesões, devido à semelhança entre tumor e tecido normal. Em grupos selecionados de mulheres, outros métodos de imagem mamária podem auxiliar a detectar essas lesões que a mamografia não consegue.

 Atualmente são muitas as tecnologias disponíveis, mas a mais utilizada e acessível é a ultrassonografia. Este é um exame que deve ser realizado por um profissional  experiente, pois pode aumentar muito os resultados falsos-positivos, ou seja, detectar lesões que precisarão de biópsias, mas no final não serão cânceres. Essa situação gera ansiedade, estresse e custos para o sistema de saúde público ou privado. Então, tudo isso deve ser considerado. Nos grupos de alto risco genético e/ou familiar, dispomos da ressonância magnética das mamas. É um exame excelente, mas também com altas taxas de resultados falsos-positivos. Por isso, deve ser indicado com cautela e não indiscriminadamente. Entre as tecnologias mais recentes, temos a mamografia com contraste. É uma mamografia digital que também possibilita um estudo dinâmico das mamas, ou seja, ocorre uma avaliação da circulação, não sendo algo estático. Com esse exame, o médico pode observar onde ocorre maior concentração do contraste, o que caracteriza uma área suspeita. Os estudos sobre essas tecnologias têm se mostrado promissores para alguns grupos de pacientes e talvez possa ser uma alternativa a ressonância magnética das mamas.

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 6) Como a mamografia digital com contraste permite que médicos e radiologistas reduzam o tempo que os pacientes críticos seriam obrigados a esperar pelo diagnóstico?
Em muitos locais não dispomos da ressonância magnética (RM) das mamas, método que atualmente utilizamos nos casos em que existe dúvida diagnóstica. Como a mamografia com contraste é realizada no mesmo equipamento que realiza a mamografia digital, essa seria uma grande vantagem dessa tecnologia. O custo da RM ainda é muito elevado e a maioria dos equipamentos não dispõem de acessórios para realizar a biópsia, no caso de lesões que são vistas apenas por esse método.

7) As imagens padrão de exames de mamografia mostram somente a densidade de tecidos e os resultados muitas vezes não são conclusivos. Como a mamografia digital com contraste auxilia nesse quesito? Ela detecta sinais prévios ao câncer, como o crescimento de pequenos vasos sanguíneos, conhecido como angiogênese?

Esse é o diferencial desta tecnologia: ela soma as vantagens da imagem digital com a possibilidade de estudar a circulação do sangue nas mamas. Sabemos que o tumor recebe mais vasos sanguíneos que o tecido normal, pois ele mesmo fabrica substâncias que estimulam a formação de vasos, o que chamamos de angiogênese tumoral. Assim, o contraste que é utilizado no exame irá se concentrar mais nos locais onde existam mais vasos sanguíneos, o que indicará uma área suspeita.

8) A ressonância magnética pode ser usada em conjunto com a mamografia. Quais os benefícios?
A RM de mamas é uma excelente ferramenta de diagnóstico no estudo das doenças mamárias. Mas no início foi utilizada indiscriminadamente, com resultados muitas vezes prejudiciais. Atualmente, com anos de experiência acumulada nessa modalidade, sabemos que em algumas situações a RM é superior, como nos casos da avaliação de tumor oculto de mama, no acompanhamento de tratamento de quimioterapia antes da cirurgia (para acompanhamento da involução do tumor e avaliação da resposta ao tratamento), na avaliação da integridade de próteses e no rastreamento de mulheres que pertencem a grupos de alto risco.No caso dos grupos de alto risco, a mamografia e a RM, utilizadas em conjunto, aumentam muito as taxas de detecção de câncer de mama nesta população.

Para saber mais sobre as indicações do exame de mamografia com contraste, leia este artigo aqui: Mamografia com contraste: conheça os diferenciais do exame.

 É importante falar que atualmente as tecnologias surgem com uma velocidade maior do que a velocidade em que conseguimos provar seus benefícios. Assim, uma verdade científica hoje, é uma verdade provisória que o tempo irá testar. Mas existe uma certeza desde 1966, que foi quando se observou que a realização da mamografia em intervalos regulares, consegue diminuir em 1/3 a mortalidade por câncer de mama. Então, reforçamos para as mulheres que realizem suas mamografias periodicamente a partir dos 40 anos.

Para saber mais sobre a mamografia digital e a mamografia convencional, leia este artigo: Mamografia Digital x Mamografia Convencional: entenda a diferença

Por: Dr. Renato Barra / Categoria: Saúde das Mamas

6 de novembro de 2015

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