H1N1: aumento de casos se dá pela reduzida imunidade da população - IMEB

H1N1: aumento de casos se dá pela reduzida imunidade da população

Em entrevista à Agência Brasil, o professor de infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Alexandre Naime Barbosa, afirma que, no fim de 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia feito alerta sobre o aumento da circulação do H1N1 no mundo. O tipo (cepa), segundo ele, é exatamente o mesmo que provocou a pandemia de gripe A em 2009 e que voltou a assustar em 2013. O especialista alerta que hábitos de prevenção devem ser contínuos.

O surto de H1N1 chegou mais cedo ao Brasil este ano?

Sim, veio mais cedo. A OMS já havia feito alerta no fim de 2015 sobre a maior circulação da mesma cepa de H1N1 que circulou em 2009 e que causou a pandemia. Essa cepa também circulou com mais força em 2013, mas passou os anos de 2014 e 2015 um pouco mais escondido. E é sempre assim: quando um vírus não circula por algum tempo, isso permite que a população passe a ter um número considerável de pessoas suscetíveis à infecção.

O que mais pode ter contribuído para que os casos no país voltassem a subir?

O fenômeno El Niño também pode ter dado a sua contribuição. Percebemos que o volume de chuvas este ano aumentou em relação ao ano passado. Apesar de não estar frio, as pessoas tendem a ficar mais tempo dentro de casa ou em ambientes fechados para se proteger das chuvas. E essa concentração, como se sabe, facilita a proliferação do vírus influenza. A situação atual, porém, não caracteriza ainda uma epidemia. Temos apenas surtos, mas o estado é de alerta.

Há risco de eventual epidemia ou pandemia?

Provavelmente não. Já temos notícias da antecipação da vacina em algumas localidades. Essas pessoas ficam protegidas. Há ainda parte da população que já entrou em contato com o vírus, não chegou a desenvolver sintomas da doença, mas ficou imune. A gripe tem muito isso: nem sempre apresenta sintomas ou desenvolve sintomas brandos. Mesmo no caso do H1N1, não necessariamente teremos pacientes com síndrome gripal, febre alta, dores no corpo e sintomas respiratórios. A pessoa pode apresentar um quadro mais ameno e que leve a achar que se trata de um resfriado, com febre leve e coriza.

Além do Zika vírus, o H1N1 também representa perigo em potencial para as gestantes?

A influenza sempre esteve relacionada a quadros mais graves em gestantes. A mulher grávida, na realidade, é como uma pessoa imunodeprimida, já que a gestação causa alterações no sistema imunológico. A gestante tem maior propensão a desenvolver doenças em geral. Qualquer cepa de influenza que aparece e que é mais patogênica sempre deve ser motivo de preocupação entre as mulheres grávidas.

Há alguma chance do vírus que circula agora ser mais forte que o de 2009?

O H1N1 de agora não é mais resistente que o que tivemos antes. A cepa que está circulando neste momento no país é idêntica à que circulou em 2009 durante a pandemia. O aumento de casos e de óbitos se dá pela reduzida imunidade da população. Isso porque o vírus tira proveito de uma determinada situação para circular. E o que temos agora é como se fosse uma estrada sem radar, onde o H1N1 aproveita para correr sem ser multado.

Após a pandemia, algumas das orientações de prevenção foram deixadas de lado?

Infelizmente, o brasileiro tem cultura que não perpetua bons hábitos. Ele fica bem assustado, chega a ficar paranoico quando a emergência acontece, mas a informação preventiva que ele tinha facilmente se desfaz ao longo do tempo. O vírus influenza vai circular sempre. Não há como eliminar. Sempre haverá cepas para as quais a população não terá imunidade. As medidas preventivas têm que ser tomadas sempre, como o hábito de escovar os dentes. Não vale se preocupar só quando os dentes estão ruins e depois relaxar.

Por: Dr. Renato Barra / Categoria: Destaque Notícias

15 de abril de 2016

Conteúdos Relacionados

DICAS DE SAÚDE

Receba Dicas de Saúde Atualizadas