Jedd Wolchok: "O futuro do tratamento do câncer é personalizado" - IMEB

Jedd Wolchok: "O futuro do tratamento do câncer é personalizado"

A maior novidade dos últimos anos na luta contra o câncer são os bons resultados dos tratamentos com imunoterapia. Os médicos usam moléculas para estimular o próprio sistema de defesa do paciente a atacar o tumor. “Temos bons resultados em uma lista extensa de tumores”, afirma o oncologista Jedd Wolchok, do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, nos Estados Unidos, uma das referências mundiais no combate à doença. Wolchok esteve no Brasil para participar de um simpósio internacional de câncer, que acontece termina hoje no Hospital Sírio-Libanês. Ele explicou à ÉPOCA por que a imunoterapia está revolucionando o tratamento da doença.

ÉPOCA – Qual é o futuro do tratamento de câncer?
Jedd Wolchok – O tratamento será baseado em terapia de precisão: o ideal seria cada paciente ter um tratamento personalizado, de acordo com o perfil químico e com as estruturas do seu tumor. Um dos caminhos para atingir essa personalização é a imunoterapia. Ela faz com que o próprio organismo do paciente ataque o tumor. Acredita-se que um dos mecanismos de sobrevivência do câncer seja “cegar” o sistema de defesa. A imunoterapia usa moléculas que impedem que o tumor desligue as células de defesa do organismo.

ÉPOCA – Em que medida a imunoterapia já é realidade?
Wolchok – Há um tipo de imunoterapia que tem se mostrado muito eficiente para tratar tipos comuns de câncer, como o melanoma, um câncer de pele, e tumores do rim e do pulmão. Também funciona em tumores de cabeça e pescoço, bexiga, fígado e em um tipo de câncer de sangue, chamado Linfoma de Hodgkins. É uma lista extensa no momento.

ÉPOCA – Por que a imunoterapia parece tão eficaz?
Wolchok – Nós acreditamos que o benefício mais importante é o tempo que ela parece funcionar. A imunoterapia tende a durar por muitos meses. Até anos. Outros tipos de terapia parecem resistir por um período de tempo menor. Isso acontece porque o sistema de defesa tem memória. Há células que, literalmente, lembram o que elas viram anteriormente quando veem de novo. Isso impediria o ressurgimento do câncer.

ÉPOCA – Há riscos?
Wolchok – Certamente. Pode haver inflamação de vários órgãos, como fígado e pulmão. Os pacientes podem apresentar bolhas e diarreia. Esse tipo de tratamento libera diferentes tipos de células de defesa que geralmente são impedidas de agir no organismo, não somente as células que reconhecem o câncer. A boa notícia é que sabemos como tratar esses efeitos adversos.

ÉPOCA – O preço da imunoterapia não é um impedimento para que ela seja amplamente usada?
Wolchok  – Geralmente, é necessário que moléculas muito complexas sejam feitas para atacar o câncer. Em alguns casos, são necessárias terapias com células personalizadas. E isso pode ser muito caro. Nós esperamos que, com o tempo, isso se torne amplamente usado, o que tornaria a terapia menos cara. Além disso, como seu efeito é duradouro, os pacientes não precisariam repetir o tratamento muitas vezes. Os custos tendem a diminuir.

 

O oncologista americano Jedd Wolchok. Ele estuda como fazer o sistema de defesa do corpo atacar tumores (Foto: Divulgação)

Por: Dr. Renato Barra / Categoria: Notícias

25 de agosto de 2015

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