Média de cardiopatia infantil alerta por pré-natal completo, diz médica no Amazonas - IMEB

Média de cardiopatia infantil alerta por pré-natal completo, diz médica no Amazonas

Pelo menos 12 cirurgias em crianças cardiopatas são realizadas ao mês. Médica destaca que diagnóstico está mais acessível na rede pública.

A cardiopatia congênita, doença que leva a uma má formação do coração, atinge milhares de recém-nascidos no Brasil. Em Manaus, ao menos 12 cirurgias de crianças cardiopatas são realizados ao mês. A coordenadora de UTI de pós-operatório e cirurgia cardíaca da Fundação do Coração Francisca Mendes, Suely Teles, afirma que um pré-natal correto pode indicar fatores de risco e possíveis alterações cardíacas. Ela alerta que mães ainda dispensam o acompanhamento da gestação e impedem o diagnóstico precoce da doença.

Em todo o país, dez em cada mil bebês nascem vivos com cardiopatia congênita. Dados do Ministério da Saúde apontam ainda que 25% dos casos são cardiopatias graves que necessitam de intervenção logo no primeiro ano de vida.

A médica cardiologista observou que a falta de acompanhamento neonatal ainda é comum entre mulheres no Amazonas.

A recomendação do Ministério da Saúde é que o pré-natal seja iniciado assim que a gravidez for descoberta e que a mãe tenha seis consultas durante a gestação e uma sétima no período pós parto.

Segundo a especialista, o Amazonas conta com tratamento de referência contra a doença. No entanto, é necessário ampliar o atendimento de pré-natal para que problemas como cardiopatia congênita sejam descobertos e tratados de forma adequada. “As mães realmente devem fazer o acompanhamento. É preciso que se tenha adesão ao pré-natal. Há casos de mãe que vai a uma ou duas consultas e abandona”, destacou.

O acompanhamento da gestação permite ainda reduzir enfermidades que costumam atingir mãe e filho. “É preciso que as mães consigam identificar que estão grávidas, que procurem um obstetra, procurem acompanhamento para que consigam fazer ultra som. A partir da 16ª semana, já se tem possibilidade de saber se existe algo errado”, acrescentou.

Rede de tratamento
Na capital, Suely informou que o Serviço de Cirurgia Cardíaca Pediátrica, implantado há cerca de um ano no Hospital Francisca Mendes, Zona Norte, criou uma rede de tratamento e diagnóstico da doença no estado. Mais de 150 procedimentos, entre cirurgias e cateterismo, já foram realizados, segundo ela.

Ainda não há dados reais de quantas crianças nascem vivas com a anomalia ou que aguardam por cirurgias no Amazonas, mas Suely afirmou que centenas de pacientes recebem algum tipo de acompanhamento atualmente.

A médica explicou que a ampliação da rede de tratamento permitiu a realização de diagnósticos dentro das maternidades de Manaus, logo nos primeiros dias de vida. “Hoje, os diagnósticos têm sido feitos ainda na maternidade. Quando [as crianças] saem de lá, elas já saem com uma consulta marcada e, com isso, já têm um segmento até o momento de correção cirúrgica ou procedimento de cateterismo. Isso é um avanço, de poder diagnosticar as crianças ainda na maternidade”, afirmou.

A coordenadora destacou ainda que o diagnóstico com mais precisão está acessível na rede básica de saúde. “Hoje em dia temos algumas ferramentas importantes que vieram para somar. Todas as maternidades de Manaus, hoje, fazem o teste do coraçãozinho, que é um exame de triagem que já desperta se existe alguma coisa a ser investigada. E vários hospitais da rede pública têm a possibilidade do ecocardiograma na beira do leito”, disse.

Suely disse ainda que o serviço de cardiopatia tem a meta de ampliar a assistência no interior do estado. “O que a gente tem conseguido é fazer com que o teste do coraçãozinho chegue aos municípios e que os diagnósticos sejam feitos também em Apuí, em Humaitá, para que com isso a gente consiga tratar mais”, explicou.

Sintomas
A cardiopatia congênita surge nas primeiras semanas de gestação, em razão de alteração no desenvolvimento embrionário da estrutura cardíaca. A doença pode ser manifestar nos primeiros meses de vida ou anos depois.

Para crianças com maior idade, Suely Teles disse que a doença pode ser percebida pelos pais a partir de pequenos sintomas. Entre um deles, está o processo de amamentação.

Conforme explicou a médica, cansaço durante a amamentação, dedos e lábios roxos, além de baixo peso e baixa estatura, são sinais de alerta. “Se não está comendo, se não está crescendo, se a criança é muito cansada, que não consegue participar de atividades de recreação, que não é normal na infância, isso tudo a gente já pega como dado de observação”

Causa desconhecida
Hoje com dez anos, a pequena Fernanda leva uma vida normal. Estuda, faz aulas de dança e sai com as amigas da mesma idade. Quando nasceu, no entanto, a história foi diferente. Diagnosticada com cardiopatia congênita logo após o parto, a menina passou o primeiro ano de vida na ponte aérea Manaus-São Paulo. “Ela veio de uma gravidez planejada. Quando ela nasceu, precisou ser ressuscitada 100% e foi para a UTI. Uma das médicas viu que tinha algo de anormal. Fomos para São Paulo e confirmamos o diagnóstico”, lembra a mãe dela, a advogada Luciana Normando.

Duas semanas após a festa de um ano, Fernanda passou por uma delicada cirurgia na capital paulista. O resultado foi um sucesso. No entanto, a família ainda não sabe o que causou a cardiopatia, já que a irmã mais velha da menina e outros parentes nunca apresentaram problemas no coração. “Foi feito todo o pré-natal e nunca foi detectado nada de anormal no coração dela. Hoje ela está bem e não tem sequelas, mas não se sabe por que ela nasceu com esse problema”, disse.

Por: Dr. Renato Barra / Categoria: Notícias

20 de outubro de 2015

Conteúdos Relacionados

DICAS DE SAÚDE

Receba Dicas de Saúde Atualizadas