Médicos anunciam resultado dos estudos sobre pílula do câncer | IMEB

Médicos anunciam resultado dos estudos sobre pílula do câncer

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Os médicos do Instituto do Câncer de São Paulo concluíram que a chamada “pílula do câncer” não funciona como remédio.

A substância de nome complicado surgiu como uma esperança para pacientes com câncer. A fosfoetanolamina sintética foi desenvolvida pelo químico da Universidade de São Paulo Gilberto Chierice.

A chamada pílula do câncer nunca tinha sido testada cientificamente em seres humanos. Apesar disso, as cápsulas foram entregues de graça para pacientes por mais de 20 anos. Quando a USP cancelou a distribuição em 2014, muita gente entrou na Justiça para obter a pílula.

Em julho de 2016, o governo do estado de São Paulo decidiu patrocinar uma pesquisa para descobrir se a fosfoetanolamina realmente combate o câncer.

A pesquisa foi feita com pacientes do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), que passaram por tratamentos convencionais, mas não ficaram curados da doença. Eles receberam doses diárias da pílula do câncer e passaram por testes no Centro de Pesquisas em Oncologia do instituto.

A intenção inicial era fazer essa pesquisa com 200 voluntários, mas os testes com novos pacientes foram suspensos depois dos primeiros resultados.

A fosfoetanolamina foi distribuída para 72 pacientes; 59 foram reavaliados e, em 58, não houve qualquer melhora.

A eficácia foi testada para tumores na cabeça e pescoço, pulmão, mama, colo uterino, próstata, pâncreas, estômago, fígado. O câncer colorretal teve o maior número de pacientes, 21. Só no caso de melanoma, câncer de pele, um paciente teve redução do tumor, mas os médicos não sabem se foi por ação da pílula ou por outro motivo.

“No grupo como um todo, podemos dizer que a medicação parece não funcionar. Se houver algum tipo de eficácia, é mínimo e registrado nos pacientes com melanoma. Para câncer colo retal eu posso falar que, nesta dose, esses pacientes não tiveram benefício, o remédio não funciona”, disse Paulo Hoff, oncologista e diretor do Icesp.

A pesquisa foi suspensa, mas a intenção é seguir acompanhando 20 pacientes, entre eles, o que teve redução no câncer de pele.

Uma equipe do químico que desenvolveu a pílula acompanhou a pesquisa.

“Seguiu-se com rigor as decisões que envolveram os pesquisadores anteriores com os pesquisadores agora do estudo, então, cumpriu-se o que foi combinado em todos os níveis desde a síntese até o final da pesquisa”, explicou o secretário estadual de Saúde-SP, David Uip.

Os pesquisadores estão preocupados porque muitos pacientes têm abandonado os tratamentos convencionais para usar a pílula do câncer.

“A mensagem, neste momento, é que esse produto não tem uma eficácia que justifique o seu uso em substituição aos tratamentos que já têm a sua eficácia reconhecida. As pessoas não devem parar o seu tratamento para substituir por fosfoetanolamina sintética e, neste momento, a fosfoetanolamina continua sendo um tratamento puramente experimental, sem nenhuma evidência forte que dê suporte ao seu uso rotineiro como tratamento de câncer”, afirmou Paulo Hoff.

O químico Gilberto Chierice, que desenvolveu a pílula com a fosfoetanolamina, não quis se manifestar sobre os resultados da pesquisa.

FONTE: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia

Por: Dr. Renato Barra / Categoria: Destaque Notícias

3 de abril de 2017

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