Norte, Nordeste e Centro-oeste estão no topo da incidência de câncer de colo do útero, no Brasil - IMEB

Norte, Nordeste e Centro-oeste estão no topo da incidência de câncer de colo do útero, no Brasil

Doença em estágio avançado ficou dez anos sem novidades no tratamento.

Segundo levantamento que acaba de ser divulgado pelo IBGE, o câncer de colo do útero é a principal razão para que 7,7% das brasileiras com mais de 18 anos se submetam à cirurgia para a retirada do útero. Os percentuais desse tipo de intervenção cirúrgica são maiores nas regiões Nordeste (8,2%) e Centro-oeste (9,1%). Tal estatística coincide com os locais onde a doença tem maior prevalência. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer, INCA, o Norte possui 24 novos casos de câncer de colo do útero, o Centro-oeste de 21 casos e o Nordeste 18 para cada 100 mil habitantes. Conforme a Globocan, o Brasil tem a estimativa de 15 mil novos casos previstos para 2015, quase o dobro da inciência de países desenvolvidos. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de colo do útero é o terceiro mais prevalente no país.

A oncologista e presidente do Grupo EVA – Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos – Dra. Angélica Nogueira – atribui essa estatística a dois fatores: infecções persistentes causadas pelo HPV (papilomavírus), transmitido sobretudo durante as relações sexuais, que corresponde a mais de 99% dos casos e a falta de adesão ‘a realização do exame preventive de Papanicolau, que possibilita a detecção precoce da doença ( idealmente no estágio pré câncer), aumentando significativamente as chances de um bom resultado terapêutico.

No Brasil, mais da metade das pacientes com câncer de colo de útero são diagnosticadas com doença localmente avançada ou avançada. Para pacientes com doença metastática ao diagnóstico ou que apresentaram recidiva ou persistência da doença, a Anvisa acaba de aprovar a utilização de um medicamento biológico (anticorpo monoclonal), já utilizado em outros países, o bevacizumabe. Trata-se da primeira terapia-alvo oferecida para o tratamento do câncer de colo de útero e o primeiro avanço para o tratamento do câncer de colo de útero avançado nos últimos dez anos.

O bevacizumabe demonstrou um aumento de sobrevida global de 30% e a redução de 26% no risco de morte das pacientes com câncer de colo de útero metastático. “Essa terapia abre novas perspectivas para pacientes, em sua maioria jovens, e com possibilidades de tratamentos muito restritas, oferecendo maior sobrevida sem comprometer a sua qualidade de vida”, afirma a oncologista especialista em tumores ginecológicos.

É o caso da psicóloga clínica Júlia que iniciou seu tratamento com 59 anos, no início de 2013, quando teve diagnóstico de câncer de colo do útero localmente avançado e presença de células tumorais no fígado. O tratamento com três intervenções cirúrgicas – uma no útero e duas no fígado – e os ciclos de medicação não desanimaram a paciente. Ela prosseguiu com todas as orientações médicas até que, no começo do ano passado, recebeu a notícia de remissão da doença. “Eu persisti e hoje tenho de volta minha rotina com muito mais qualidade de vida do que antes do diagnóstico”, avalia Julia.

De acordo com a oncologista Dra. Angélica Nogueira, entre os tratamentos mais comuns estão a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia. A escolha da terapia ideal dependerá do estadiamento da doença, tamanho do tumor e condições clínicas da paciente. “É importante enfatizar que o Papanicolau é a principal forma de identificar as lesões pré-cancerígenas e caso o diagnóstico do câncer de colo de útero seja descoberto, estará em estágio inicial, período em que o tratamento é mais efetivo”, ressalta a especialista. Segundo  o levantamento do IBGE, 79,4% das mulheres de 25 a 64 anos já fizeram o Papanicolau pelo menos uma vez nos três últimos anos anteriores à pesquisa. A Organização Mundial de Saúde preconiza a realização anual do Papanicolau em mais de 80% da população dentro dessa faixa etária.

Entre as mulheres nessa faixa que nunca fizeram o exame preventivo, 45,6% não acharam necessário; 20,7% nunca foram orientadas a fazê-lo; 9,7% alegaram ter vergonha; 7,2% nunca tiveram relações sexuais; 3,8% encontraram dificuldade para marcar a consulta; 1,7% reclamaram o tempo de espera para o serviço muito alto e 11,3% atribuíram a outros motivos não especificados.

Por: Dr. Renato Barra / Categoria: Destaque Notícias

21 de outubro de 2015

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