O uso racional da radiação - IMEB

O uso racional da radiação

Considerada como a maior invenção da história, de acordo com o Museu de Ciências de Londres, os raios-X tiveram importância ímpar  no desenvolvimento da ciência e da saúde. Fundamentais para o início dos diagnósticos por imagem, eles também abriram portas para tratamentos e para o desenvolvimento da Medicina Nuclear. Contudo, os perigos da exposição excessiva à radiação acarretam diversos efeitos colaterais, o que demanda cautela em relação ao seu uso. Para isso, o IMEB apresenta tecnologias modernas e protocolos rigorosos para colocar ao dispor da população todos os benefícios deste recurso, sempre primando pela segurança do paciente e dos profissionais envolvidos, do diagnóstico ao tratamento. Um dos destaques neste cenário é o Discovery 530c, considerando um dos maiores aliados da atualidade no diagnóstico de patologias do coração.

No dia 08 de novembro de 1895, em seu pequeno e escuro laboratório, o físico alemão Wilhelm Conrad Roentgen abriu as portas para uma descoberta que mudaria definitivamente a história da humanidade. Enquanto trabalhava com um tubo de raios catódicos, o cientista observou que uma película que encontrava-se próxima ao experimento sempre emitia uma luz assim que estes raios funcionavam e, desta forma, conseguiu notar que a causa da luminescência eram estes raios invisíveis, os quais chamou de “X”.

Apesar de outros cientistas terem observado fenômenos similares anteriormente, coube a Roentgen se aprofundar e publicar estudos acerca do assunto que lhe renderam o Prêmio Nobel, em 1901. Em pouquíssimo tempo, os experimentos e trabalhos do alemão relacionados aos raios-X ganharam enorme repercussão na comunidade científica: para se ter uma ideia, em apenas um ano foram publicados 49 livros e mais de mil artigos relacionados ao fenômeno, tamanho interesse em torno da descoberta no mundo inteiro.

As notáveis aplicações na medicina foram imediatamente observadas pelo próprio Roentgen, sendo que a primeira e mais memorável foi ao produzir uma radiografia da mão de sua esposa, experiência que deu origem aos diagnósticos por imagem. Graças ao fenômeno, que à época ainda desafiava a inteligência humana e foi um grande mistério por mais de três décadas, tornou-se possível observar o interior do corpo humano, fraturas ósseas e patologias de diversos órgãos sem precisar de cirurgias invasivas.

Entretanto, a enorme curiosidade e as inúmeras possibilidades diante da descoberta colocaram as pessoas a ser testados em muitos campos e para diversas finalidades. Observa-se em pouco tempo que exposição excessiva à radiação era prejudicial à saúde, causando lesões, doenças e a morte de vários indivíduos que trabalhavam exaustivamente com o raio-X. Apesar de trágica, a descoberta destes efeitos nocivos proporcionou ao longo das décadas que sistemas e tecnologias fossem desenvolvidos para a utilização em segurança dos raios-X. Podemos citar, por exemplo, os colimadores, criados para reduzirem a quantidade de radiação secundária/dispersa emitida durante um exame de imagem, o que reduz significativamente os riscos ao paciente.

As primeiras aplicações da Medicina Nuclear ocorreram com pesquisas relacionadas à fisiologia e patologia da tireoide, comumente em dias locais: Berkeley e Massachusetts. Em 1942, os dois grupos de pesquisadores anunciaram o sucesso no tratamento do hipertireoidismo utilizando o radioisótopo de Iodo-130. Entretanto, apenas em 1946, com a utilização dos radioisótopos de Iodo-131, que foram abertos os caminhos para a avaliação da função tireoidiana, para o diagnóstico das doenças da tireoide, para o tratamento do hipertireoidismo e também do câncer tireóideo, assim como de suas metástases.

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Desde então, a utilização da radiação nas áreas da saúde tem crescido a passos largos, especialmente diante do desenvolvimento de novos métodos, desde os diagnósticos – seja num simples RX de Tórax, mamografia, tomografia computadorizada ou para procedimentos de cateterismo cardíaco – aos tratamentos com radionuclídeos pela Medicina Nuclear. Além disso, o maior acesso da população a este tipo de exame, sobretudo em países subdesenvolvidos e em desenvolvidos, também aumentaram em grande escala a demanda por tecnologias radioativas.

Se, por um lado, esta demanda é claramente positiva – ao sabermos da importância destes procedimentos para os tão necessários diagnósticos precoces e para os tratamentos efetivos de inúmeras doenças – por outro, as sociedades médicas e a Organização Mundial da Saúde têm se preocupado com os efeitos colaterais e cumulativos que a radiação provoca.

Em 2008, a OMS patrocinou o Global Initiative on Radiation Safety in Healthcare Settings (Iniciativa pela Segurança no Uso de Radiação pelas Instituições de Saúde), em Genebra, que contou com 67 participantes de várias sociedades e organizações médicas, de diversos países, para que se alertasse sobre os riscos da radiação, evidenciando uma preocupação a nível mundial. Na ocasião, discutiu-se seu uso criterioso, o estabelecimento de mecanismos de controle e da importância da educação de profissionais da área e também de leigos sobre o assunto, pois inúmeras vezes o próprio paciente pressiona o médico a solicitar exames radiológicos desnecessários.

Apesar de ações como estas ainda serem tênues e pouco efetivas em nosso país, faz-se cada vez mais necessário adquirirmos esta consciência e adotarmos soluções que vão de encontro as preocupações mundiais em relação ao uso de radiação na saúde.

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Por: Dr. Renato Barra / Categoria: Destaque Sobre o IMEB

4 de abril de 2016

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