Pacientes de câncer casados têm mais chances de sobrevivência - IMEB

Pacientes de câncer casados têm mais chances de sobrevivência

Um dos momentos mais bonitos de uma cerimônia de casamento é quando os noivos fazem os votos matrimoniais. Votos de fidelidade e respeito na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da vida.  Um estudo acaba de mostrar que a força desse juramento de amor vai muito além das palavras. Depois de se descobrir que é possível morrer de coração partido, por desilusões amorosas, a Universidade da Califórnia vem agora revelar que os pacientes com câncer que são casados têm mais hipóteses de sobreviver do que aqueles que não são.

Pacientes de câncer casados têm mais chances de sobrevivência do que aqueles que não contam com o apoio de um cônjuge ao longo do tratamento, de acordo com um estudo publicado no periódico médico “Cancer”. Segundo a pesquisa da Universidade da Califórnia em San Diego, que analisou dados de quase 800 mil pessoas, tanto homens quanto mulheres se beneficiam do casamento para resistir ao tumor, mas a intensidade desse efeito varia de acordo com raça e etnia.

Os pesquisadores avaliaram informações de cerca de 393 mil homens e 389 mil mulheres detalhadas no Registro de Câncer da Califórnia. Esses pacientes foram diagnosticados entre os anos de 2000 e 2009 com pelo menos um dos dez tipos de câncer que mais comumente causam mortes em cada sexo entre populações de diferentes origens e culturas. Os cientistas, então, acompanharam os dados dos doentes até o fim de 2012.

Para o médico, uma das explicações pode ser o conforto proporcionado pelo apoio do parceiro. Mas esse afeto que ajuda no tratamento pode surgir ainda de outros tipos de laços.

No Instituto Nacional do Câncer, no Rio, um dos trabalhos das assistentes sociais é buscar um suporte afetivo pra quem vive longe da família – isso quer dizer que, claro, solteiros, separados e viúvos também têm vez.

“Muitas vezes a família não é a fonte principal de apoio a essa pessoa. Pode ser um amigo, um vizinho, um grupo religioso, a comunidade”, disse a assistente social Fabiana Ribeiro.

Cinco anos atrás, Luiza precisou dessa força. Ela só tinha 26 quando recebeu o diagnóstico de câncer de mama. Teria que remover um dos seios. Primeira decisão: se casar no civil antes da cirurgia.

“Foi uma necessidade mesmo, porque o plano de saúde dela não cobria internações particulares e tudo mais, ambulatório, e já o da minha empresa cobria. Então eu precisava realmente correr com o casamento pra ela poder ter um respaldo médico”, conta o marido de Luiza, Wilson Monteiro.

A promessa de ficarem juntos na saúde e na doença nem precisou ser feita. “Foi muito companheiro, e eu acho que isso foi fundamental também pra minha recuperação. Eu falava: gente, eu descobri, achei a pessoa da minha vida, agora eu não posso morrer agora. Ele raspou a cabeça, em solidariedade”, disse Luiza.

“Foi pensando nela. Vamos lá. Parecem dois irmãos”, disse o marido.

“A quimioterapia, eu ficava mal três dias. Quando chegou na última, eu falei: eu não aguento mais, eu não vou. Ele falou comigo: se você parar agora, eu te deixo”, conta Luiza.

“Eu tive que usar de todas as armas”, disse o marido.

O poeta Carlos Drummond de Andrade disse no poema “as sem razões do amor”: “eu te amo porque te amo, o amor é um estado de graça, não se paga com amor, o amor é dado de graça, semeado ao vento, na cachoeira, no eclipse. O amor foge a dicionários, a regulamentos, vários”.

Segundo o estudo, o efeito do casamento é mais forte entre pacientes brancos que não têm origem hispânica. Os homens solteiros nesse grupo demonstraram risco 24% maior de morrer do que os casados, enquanto, para as mulheres, a mortalidade foi 17% entre as solteiras.

A partir de agora, os cientistas devem procurar de que forma o casamento favorece os pacientes com câncer, mas há algumas pistas. Cônjuges levam seus parceiros a consultas médicas e sessões de quimioterapia, dão apoio em caso de depressão, lembram a eles de tomar os medicamentos etc.

Principal autora do estudo, a professora María Elena Martínez, da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia, os oncologistas devem ficar atentos a essa “desvantagem” entre os solteiros.

“Os médicos devem perguntar a seus pacientes solteiros se eles têm alguém em seu circulo mais próximo que pode ajudá-los a enfrentar as dificuldades físicas e emocionais do tratamento”, diz a especialista. “Mais atenção deve ser dedicada a esse efeito adverso de ser solteiro”.

Por: Dr. Renato Barra / Categoria: Destaque Notícias

14 de abril de 2016

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