Não existe uma regra fixa. Agonistas de GLP-1 (semaglutida, tirzepatida) retardam o esvaziamento gástrico e podem interferir em exames que dependem de estômago vazio ou de sedação. A decisão de manter ou pausar o medicamento depende do tipo de exame, da dose e do tempo de uso — e deve ser tomada por quem prescreveu o medicamento, nunca por conta própria.
O que são as canetas GLP-1 e por que elas importam para um exame de imagem?

Semaglutida (Ozempic, Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro) são agonistas de receptores de GLP-1, usados no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. Um dos efeitos desses medicamentos é retardar o esvaziamento do estômago. Esse retardo pode deixar conteúdo residual no estômago por mais tempo do que o esperado, mesmo depois do jejum orientado — e é esse resíduo que interessa para quem vai fazer um exame de imagem.
Em quais exames o uso de GLP-1 pode interferir?
O impacto varia conforme o tipo de exame. Em ecografias de abdômen, conteúdo gástrico residual pode atrapalhar a visualização de órgãos próximos ao estômago. Em exames que envolvem sedação ou anestesia — mais comuns em ressonâncias com crianças ou pacientes com claustrofobia importante — o cuidado é maior por causa do risco de aspiração de conteúdo gástrico. Já em exames sem sedação, como a maioria das ressonâncias, tomografias, PET-CT e cintilografias em adultos, o impacto direto tende a ser menor, mas ainda assim vale confirmar com a clínica.
| Tipo de exame | Por que o GLP-1 pode interferir | O que costuma ser orientado |
|---|---|---|
| Ecografia abdominal | Conteúdo gástrico residual pode atrapalhar a imagem | Jejum específico, conforme orientação da clínica |
| Exames com sedação/anestesia | Risco de aspiração de conteúdo gástrico | Avaliação individual, possível jejum estendido |
| RM, TC, PET-CT, cintilografia sem sedação | Impacto direto geralmente menor | Confirmar uso do medicamento ao agendar |
Por que a recomendação de suspender por rotina mudou?
Em 2023, a orientação inicial de sociedades de anestesiologia era suspender o medicamento por rotina antes de procedimentos — um dia antes para formulações diárias, cerca de uma semana antes para formulações semanais. Sociedades de gastroenterologia contestaram essa regra como genérica demais para a prática clínica real. As diretrizes mais recentes (2024–2025) passaram a recomendar uma avaliação caso a caso, considerando a dose, o tempo desde a última aplicação, a presença de sintomas digestivos e o tipo de procedimento — em vez de uma suspensão automática para todo mundo. Isso reforça por que uma regra fixa de “suspenda X dias antes” já nasce desatualizada.
Posso simplesmente parar de usar antes do exame, por segurança?
Não é recomendado interromper o medicamento por conta própria. A suspensão de um agonista de GLP-1 pode causar oscilação da glicose em quem trata diabetes, ou reganho de peso em tratamentos de obesidade — e essa é uma decisão que pesa os riscos do exame contra os riscos de interromper o tratamento, algo que só quem prescreveu o medicamento pode avaliar com segurança.
O que fazer na prática antes de agendar seu exame no IMEB?
Duas ações resolvem a maior parte dos casos: informe à clínica, no momento do agendamento, que você usa uma caneta GLP-1 e há quanto tempo; e, se houver qualquer dúvida sobre manter ou pausar o uso, confirme diretamente com o médico que prescreveu o medicamento. A equipe do IMEB orienta o preparo específico conforme o exame solicitado.
Perguntas frequentes
Faz diferença se a caneta é de uso diário ou semanal? Sim. Formulações semanais permanecem ativas no organismo por mais tempo, o que pode mudar a janela de atenção considerada antes de um exame.
Vou atrasar meu tratamento se avisar a clínica que uso GLP-1? Não necessariamente. Avisar não significa pausar — na maioria dos casos, a informação serve só para ajustar o preparo do exame.
E se eu sentir enjoo ou sensação de estômago cheio no dia do exame? Avise a equipe antes do procedimento. Pode ser necessário ajustar o preparo ou reagendar, dependendo do exame.
Quem decide se devo pausar a medicação antes do exame? Somente o médico que prescreveu o medicamento, avaliando seu quadro clínico. Nenhum conteúdo genérico substitui essa avaliação.
Fontes: diretrizes de manejo perioperatório de pacientes em uso de agonistas de GLP-1, American Society of Anesthesiologists (2023) e atualização de sociedades de gastroenterologia (AGA/ASGE, 2024–2025); revisões clínicas sobre GLP-1 e procedimentos endoscópicos/sedação publicadas entre 2024 e 2025. Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação do médico que acompanha o tratamento.
✏️ Escrito e revisado por Dr. Renato Barra
Médico Especialista em Medicina Nuclear | CRM 14838 DF | RQE 11390
📅 Última revisão pelo autor: 25/08/2026 • Ver perfil no Doctoralia ↗
⚠️ Aviso Importante — Conteúdo Informativo
As informações disponibilizadas neste artigo têm caráter exclusivamente educativo e informativo, sendo elaboradas com base em diretrizes médicas atualizadas. Este conteúdo não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento médico individualizado. Sempre consulte um profissional de saúde habilitado antes de tomar qualquer decisão relacionada à sua saúde. O IMEB não se responsabiliza pelo uso indevido das informações aqui apresentadas.



