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Por: Dr. Renato Barra

Dor no coração: quando procurar ajuda médica

Sentir dor na região do peito é uma experiência que assusta qualquer pessoa, e com razão. Mesmo que possa ter diversas origens, esse tipo de sintoma nunca deve ser ignorado.

Ainda mais quando a dor é sentida no coração, o que pode indicar problemas sérios na saúde cardíaca e exige avaliação médica imediata.

Neste artigo, você vai descobrir a diferença entre dor no coração e dor no peito, conhecer as principais causas do desconforto, identificar sintomas de emergência e entender quais exames são indicados.

Acompanhe!

Dor no coração ou dor no peito? Entenda a diferença

Muitas pessoas usam os termos “dor no coração” e “dor no peito” como sinônimos, mas eles não significam a mesma coisa. 

A dor no peito é um sintoma amplo, que pode ter origem muscular, óssea, pulmonar, digestiva, emocional ou cardíaca. 

Já a dor no coração é especificamente aquela causada por alterações no funcionamento do músculo cardíaco ou dos vasos que o irrigam.

Mesmo que a dor não seja cardíaca, ela sempre deve ser investigada, especialmente se surgir de forma súbita, intensa ou acompanhada de outros sintomas.

Para facilitar, veja exemplos comuns e como eles costumam se manifestar.

A dor no peito de origem muscular geralmente ocorre após esforço físico, má postura ou movimentos repetitivos, costuma ser localizada, piora ao tocar ou movimentar o tronco e muitas vezes melhora com repouso e compressas mornas.

Já a dor de origem gástrica (acidez, gastrite ou refluxo) traz uma sensação de queimação no centro do peito, podendo subir para a garganta e costuma piorar após refeições grandes, consumir bebidas ácidas ou deitar logo após comer. Também pode vir acompanhada de arroto, azia e gosto amargo na boca.

A dor cardíaca (angina ou infarto) vem com uma sensação de aperto, pressão ou peso no peito, como se algo estivesse comprimindo a região. Geralmente não varia com respiração ou movimentos e pode irradiar para o braço esquerdo, mandíbula, costas ou ombro. Também pode vir acompanhada de suor frio, náuseas, tontura e falta de ar.

Apesar dessas diferenças, é importante ressaltar: qualquer dor persistente ou preocupante deve ser avaliada por um médico, porque apenas a investigação adequada pode determinar a causa real.

Principais causas de dor no coração

A dor no coração pode surgir por diferentes motivos. Algumas condições merecem atenção especial, pois representam maior risco.

Veja as causas mais comuns:

  • Angina: dor decorrente da diminuição momentânea do fluxo de sangue para o coração.
  • Infarto agudo do miocárdio: obstrução completa de uma artéria coronária, causando morte de células cardíacas.
  • Estresse emocional: libera hormônios que podem causar dor no peito ou desencadear espasmos nas artérias.
  • Refluxo gastroesofágico: o ácido que retorna para o esôfago pode provocar dor semelhante à cardíaca.
  • Ansiedade ou crise de pânico: causa dor torácica, palpitações, tremores e sensação de falta de ar.

Sinais de alerta que exigem atendimento imediato

Existem sintomas associados à dor no peito que são considerados sinais de alerta. Se qualquer um deles estiver presente, a pessoa deve procurar atendimento médico de urgência, sob risco de óbito. Veja:

  • Dor no peito que irradia para o braço esquerdo, pescoço, mandíbula ou costas.
  • Sensação de aperto ou peso no peito (como um “bloco” pressionando).
  • Falta de ar ou dificuldade para respirar, mesmo em repouso.
  • Suor frio, palidez ou sensação de desmaio.
  • Náuseas, vômitos ou tontura intensa.
  • Palpitações intensas ou arritmias.
  • Dor que não melhora com repouso, dura mais de 20 minutos ou surge de forma repentina e intensa.

Esses sintomas podem indicar infarto ou angina instável, que exigem intervenção médica rápida. É fundamental procurar ajuda o quanto antes, o tempo é um fator decisivo na preservação da função cardíaca.

Exames de imagem e cardiológicos indicados

Quando há suspeita de problemas cardíacos, os médicos utilizam uma série de exames para avaliar o coração e identificar alterações no músculo cardíaco, nas válvulas, nas artérias e no fluxo sanguíneo. 

Cada exame tem uma função específica e contribui para um diagnóstico mais preciso. Entre os mais solicitados, estão:

Ecocardiograma

O ecocardiograma é um exame que utiliza ondas de ultrassom para gerar imagens em movimento do coração. 

Ele permite observar o tamanho das cavidades cardíacas, a espessura das paredes do coração, o funcionamento das válvulas, a força de contração do músculo cardíaco e a presença de alterações como insuficiência cardíaca ou cardiomiopatias.

O procedimento é rápido, indolor e muito importante na avaliação inicial e no acompanhamento de doenças cardíacas.

Tomografia de tórax (incluindo angiotomografia coronariana)

A tomografia de tórax utiliza radiação para produzir imagens detalhadas das estruturas do peito. 

Quando realizada com contraste, como na angiotomografia coronariana, permite visualizar com clareza as artérias coronárias, a presença de obstruções ou placas de gordura e a anatomia do coração e dos vasos ao redor.

É muito útil para investigar dor no peito, principalmente quando há suspeita de doença arterial coronariana.

Ressonância magnética cardíaca

A ressonância magnética cardíaca é um dos exames mais completos para avaliar o coração. 

Ela permite analisar a estrutura e a função do músculo cardíaco, áreas de fibrose ou inflamação, a extensão de danos após um infarto e o fluxo de sangue em diferentes regiões do coração.

A ressonância cardíaca não usa radiação e fornece imagens de altíssima resolução, sendo essencial em casos complexos ou quando outros exames não foram conclusivos.

Cuidados preventivos para a saúde do coração

A prevenção ainda é a melhor estratégia para evitar doenças cardíacas, hoje a principal causa de mortes no mundo. Alguns hábitos simples podem fazer enorme diferença na qualidade de vida e na saúde do coração.

Uma das principais formas de proteção é manter uma dieta equilibrada, com maior consumo de frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas magras, ao mesmo tempo em que se reduz a ingestão de alimentos ultraprocessados, gorduras saturadas e sal.

A prática regular de exercícios físicos também é importante, pois ajuda a controlar o peso, melhorar a circulação e fortalecer o coração. Lembre-se de consultar um médico antes de iniciar uma rotina de exercícios, mas caminhadas, ciclismo, dança e musculação são excelentes opções.

Outro cuidado fundamental é o controle do estresse. Através de técnicas de respiração, meditação,  pausas na rotina, momentos de lazer e descanso, é possível reduzir a tensão e melhorar o bem-estar emocional.

Dormir entre 7 e 9 horas por noite também contribui para a saúde cardiovascular, pois o sono inadequado aumenta riscos de hipertensão, obesidade e arritmias.

Além desses cuidados, é imprescindível abandonar o tabagismo e evitar o consumo excessivo de álcool, que são dois dos maiores vilões do coração.

No entanto, é importante ressaltar que, para manter a saúde cardíaca em dia, esses cuidados devem caminhar lado a lado com o acompanhamento médico regular.

Por meio de consultas periódicas, os médicos podem identificar fatores de risco antes que se tornem problemas sérios.

Conclusão: a dor no coração é um sinal que nunca deve ser ignorado

A dor no coração é sempre um alerta importante e exige investigação cuidadosa. Ainda que nem toda dor no peito seja de origem cardíaca, é essencial diferenciar suas causas e buscar avaliação quando houver dúvidas. 

O diagnóstico precoce por meio de exames de imagem é fundamental para tratar doenças de forma eficaz e evitar complicações graves.

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