Obesidade cresce 60% em 10 anos, diz pesquisa do Ministério da Saúde - IMEB

Obesidade cresce 60% em 10 anos, diz pesquisa do Ministério da Saúde

Levantamento mostra que 18,9% da população do País está obesa; em 2006, eram 11,8%

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O número de pessoas obesas aumentou 60% no Brasil nos últimos dez anos e já representa 18,9% da população do País. Praticamente um em cada cinco brasileiros sofre com obesidade. Em 2006, o total era de 11,8%. É considerado obeso quem tem índice de massa corporal (IMC) igual ou maior do que 30.

Os dados fazem parte da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), realizada pelo Ministério da Saúde em todas as capitais do País. Foram 53.210 entrevistados, maiores de 18 anos, entre fevereiro e dezembro do ano passado.

Segundo o levantamento, a quantidade de obesos aumenta com o avanço da idade. Mas mesmo entre os mais jovens, de 25 a 44 anos, atinge indicador alto: 17,1%. A faixa etária mais prejudicada é a de 55 a 64 anos, com 22,9% de incidência. A pesquisa também mostra que a obesidade é maior entre os que têm menos escolaridade e há pouca diferença entre os sexos, atingindo mais as mulheres (19,6%) do que os homens (18,1%).

O sobrepeso (IMC igual ou maior do que 25) também cresceu entre a população e já está presente em mais da metade dos adultos: 53,8%, alta de 26,3% em relação a 2006 (42,6%). Neste caso, os homens estão em maior número: 57,7% têm excesso de peso, contra 50,5% das mulheres. A faixa etária principal vai de 35 a 64 anos, mas, entre jovens de 18 a 24 anos, já chega a 30,3%.

Doenças Crônicas

Conforme a pesquisa, o crescimento da obesidade é um dos fatores que podem ter colaborado para o aumento da prevalência de diabetes e hipertensão, doenças crônicas não transmissíveis que pioram a condição de vida do brasileiro e matam. O diagnóstico médico de diabetes passou de 5,5% em 2006 para 8,9% em 2016 – alta de 61,8%. A hipertensão foi de 22,5% para 25,7% em dez anos, elevação de 14,2%. Em ambos os casos, o diagnóstico é mais comum em mulheres.

O levantamento também mostra a mudança no hábito alimentar da população. Os dados apontam uma diminuição da ingestão de ingredientes considerados básicos e tradicionais na mesa do brasileiro. O consumo regular de feijão diminuiu de 67,5% em 2012 para 61,3% em 2016. E apenas um em três adultos consome frutas e hortaliças em cinco dias da semana.

Lado positivo

Entre as mudanças positivas identificadas na pesquisa está a redução do consumo regular de refrigerante ou suco artificial, de 30,9% para 16,5% da população pesquisada. As pessoas também estão praticando mais atividade física. Em 2009, 30,3% da população fazia exercícios por pelo menos 150 minutos por semana. No ano passado, a ocorrência foi de 37,6%.

Houve, ainda, queda de óbitos precoces por doenças crônicas. Dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, mostram uma redução anual de 2,6% da mortalidade prematura por doenças crônicas entre adultos (30 a 69 anos).

Opiniões

O endocrinologista Ivan Cesar Correia de Sousa, que tem consultório em Santos, acredita que a má alimentação é a grande vilã no número expressivo de obesos, problema agravado por possíveis alterações genéticas (epigenética).

“Nós, médicos, e todos os envolvidos com o problema, junto às autoridades governamentais, deveríamos nos empenhar mais no estudo da nutrição e divulgar o que é saudável para a população. Além disso, precocemente intervir nos pacientes com peso acima do ideal, lançando mão dos recursos que dispomos, como dieta, exercícios e medicações”.

Para Ivan Cesar, a dieta do brasileiro permanece péssima de modo geral, rica em carboidratos simples e calorias vazias. “O uso de suco de frutas não é interessante: a frutose em excesso também é causa de obesidade, diabetes, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares. Devemos estimular o consumo de vegetais, evitando alimentos que contêm amido em excesso, como arroz, batata e farinha de trigo”.

O presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Fábio Trujilho, destaca que quanto maior a escolaridade, menor o índice de obesidade. “Ou seja, educação e acesso à informação têm resultado nesse sentido. Apesar das campanhas para estimular atividades físicas e consumo de hortaliças, ainda estamos distantes do ideal”.

O presidente da SBEM lembra que são necessárias medidas mais efetivas do poder público e de toda a sociedade, pois que a obesidade impacta muito a vida das pessoas, da autoestima às doenças crônicas. “A pesquisa foi feita em capitais, onde o acesso ao diagnóstico é mais fácil. Então, é possível que esse número seja maior, porque há muitas pessoas que não têm acesso aos profissionais de saúde”.

Trujilho ressalta que não há fórmula mágica para emagrecer: exigem-se planejamento para a alimentação e uma programação de atividades físicas, dentro da realidade de cada um. Ele nem pensa na hora de escolher o maior vilão: o açúcar.

“Fomos criados para ser disciplinados no trabalho, com a família, mas com a comida não. É aquela história de ‘eu mereço’. Temos que encarar isso como algo muito sério”, frisa o especialista.

FONTE: http://www.atribuna.com.br/noticias/noticias-detalhe/saude/obesidade-cresce-60-em-10-anos-diz-pesquisa-do-ministerio-da-saude/?cHash=c10ff0f974f3c65ece458af41781db4c

Por: Dr. Renato Barra / Categoria: Destaque Notícias

24 de abril de 2017

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