Cada um deve ser separado de acordo com características genéticas e riscos de complicações diferentes. A medida poderia levar a tratamentos personalizados mais eficientes.
Pesquisadores da Escola de Medicina Icahn, do HospitalMonte Sinai, em Nova York, apontam que o diabetes tipo 2 (DT2) não é uma doença única, que se desenvolve de maneira igual nos pacientes. Na realidade, as manifestações da enfermidade dependem de características genéticas e fenotípicas, que também podem favorecer o aparecimento de males como câncer e doenças cardiovasculares. A partir disso, os autores propõem, em artigo na revista especializada Science Translational Medicine, que o DT2 seja dividido em três subtipos, o que pode ajudar no desenvolvimento de terapias personalizadas para o problema.
Os resultados são fruto da primeira demonstração de como a medicina de precisão e o processamento de big data (como é chamada a análise de um grande número de dados) podem ser aplicados para desvendar relações clínicas entre pacientes. “É como uma rede social em que as pessoas são conectadas porque compartilham os mesmos amigos ou têm interesse nos mesmos filmes. Nesse caso, construímos uma rede em que os pacientes são conectados por semelhanças no exame de sangue e outras manifestações clínicas”, explica Joel Dudley, principal autor do estudo.
Após analisar os dados de mais de 11 mil pessoas, das quais 2.551 tinham DT2, Dudley notou que um grupo de pacientes — que no fim da pesquisa foi classificado como subtipo 1 — tendia a ser mais gordo, manifestar o problema jovem e sofrer com doenças respiratórias e problemas de visão, inclusive cegueira. Essas pessoas também tinham taxas elevadas de hemoglobina glicada, o que significa um baixo controle da doença.
A continuidade das análises identificou outros dois quadros. O subtipo 2 foi associado a um maior risco para câncer, especialmente de pulmão e brônquios. Os autores não conseguiram avaliar, contudo, se esses pacientes eram fumantes. Foi detectada, ainda, correlação com tuberculose e problemas cardiovasculares. Por fim, o grupo do subtipo 3, que é o mais numeroso, foi mais frequentemente diagnosticado com HIV, doenças cardiovasculares, anemia e doenças mentais.
Dudley esclarece que alguns desses achados, como maior número de infecções por HIV no subtipo 3, são apenas correlações, ou seja, não é possível afirmar se é apenas uma coincidência ou se o diabetes está, por algum motivo, favorecendo o contágio. No entanto, as informações do DNA dos pacientes permitiram identificar aspectos genéticos que podem ser relacionados a determinados problemas.
✏️ Escrito e revisado por Dr. Renato Barra
Médico Especialista em Medicina Nuclear | CRM 14838 DF | RQE 11390
📅 Última revisão pelo autor: 12/05/2026 • Ver perfil no Doctoralia ↗
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