Um idoso muito magro quase sempre desperta imediatamente a suspeita de má nutrição. No entanto, o indivíduo pode estar malnutrido abaixo ou acima do seu peso ideal. Nos Estados Unidos, o país das estatísticas, a estimativa é de que 715 mil adultos acima de 65 anos estejam abaixo do peso e um em cada três americanos tenha sobrepeso, mas os problemas com a qualidade da alimentação estão presentes em ambos os grupos. Há sinais que indicam esse quadro: além da perda de peso não programada e falta de apetite, fraqueza muscular, fadiga, infecções frequentes e mesmo irritabilidade. Imagine o impacto numa pessoa mais velha: a idade já afeta músculos e ossos e, se a isso somarmos uma dieta deficiente, até atividades cotidianas como andar, vestir-se e tomar banho acabam se tornando penosas. O risco de quedas aumenta, o sistema imunológico é afetado, assim como a capacidade de recuperação do organismo, com o agravamento de doenças crônicas e o comprometimento da independência.
Além de questões financeiras, outros fatores podem acarretar um quadro de má nutrição: doenças crônicas, problemas para mastigar e engolir, efeitos colaterais de medicamentos, dietas muito restritivas e questões emocionais e neurológicas, como depressão e demências. No capítulo remédios, só para citar alguns, antidepressivos e ansiolíticos diminuem a absorção intestinal de nutrientes; diuréticos e laxantes provocam a perda de eletrólitos como magnésio, potássio e zinco. Também é comum que idosos troquem refeições, principalmente a da noite, por um café com leite e biscoitos, deixando de consumir proteínas. Com problemas nos dentes e gengivas, ou dentaduras gastas ou mal ajustadas, a tendência é optar por alimentos pastosos e de valor proteico mais baixo.
Quem lida com uma doença crônica tem que ter cuidado redobrado com uma dieta saudável e balanceada, que será crucial no manejo de enfermidades como diabetes, pressão alta ou osteoporose, por exemplo. No entanto, simplesmente aumentar a quantidade de comida ingerida não previne nem trata a má nutrição. É preciso ajustar a dieta, com a supervisão de um profissional, para ter todos os nutrientes necessários e eventualmente incluir um suplemento. Há algumas técnicas para estimular que idosos passem a se alimentar melhor: estabelecer horários para disciplinar o consumo de alimentos; fracionar a alimentação diária, ou seja, oferecer refeições menos volumosas, mais vezes ao dia; aumentar o consumo de alimentos ricos em fibras, como frutas, legumes e verduras frescas; garantir um ambiente agradável na hora das refeições – e se houver boa companhia, tanto melhor!
FONTE: https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/idoso-gordo-tambem-pode-estar-malnutrido.html
✏️ Escrito e revisado por Dr. Renato Barra
Médico Especialista em Medicina Nuclear | CRM 14838 DF | RQE 11390
📅 Última revisão pelo autor: 12/05/2026 • Ver perfil no Doctoralia ↗
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