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Esteatose hepática grau 1, 2 e 3: o que significa no laudo do ultrassom
Por: Dr. Renato Barra

Esteatose hepática grau 1, 2 e 3: o que significa no laudo do ultrassom

Resposta curta: esteatose hepática é o acúmulo de gordura nas células do fígado. No ultrassom, os graus 1 (leve), 2 (moderado) e 3 (acentuado) descrevem o quanto o fígado aparece "mais claro" e esconde estruturas internas. O grau estima a quantidade de gordura, mas não mostra se há inflamação ou cicatriz no fígado.

A esteatose é um dos achados mais comuns no ultrassom de abdome. Estimativas recentes apontam que cerca de três em cada dez adultos no mundo têm gordura no fígado. Ler a palavra no laudo costuma assustar, e ver um grau ao lado assusta mais ainda. Entender o que esse número mede, e o que ele não mede, ajuda a chegar à consulta com as perguntas certas.

O que o radiologista vê para dar o grau?

O fígado com gordura reflete mais as ondas do ultrassom e aparece mais claro na tela. O nome técnico é fígado hiperecogênico. O radiologista compara o brilho do fígado com o do rim ao lado e observa se a gordura "apaga" estruturas que normalmente aparecem bem.

GrauNome no laudoO que aparece no ultrassom
Grau 1Esteatose leveFígado discretamente mais claro que o rim; vasos e diafragma bem visíveis
Grau 2Esteatose moderadaFígado claramente mais claro; paredes dos vasos internos menos nítidas
Grau 3Esteatose acentuadaBrilho intenso; a parte mais profunda do fígado e o diafragma ficam difíceis de ver

A classificação por graus depende da leitura visual do radiologista. Por isso, dois exames em equipamentos diferentes podem dar graus vizinhos sem que nada tenha mudado no fígado. Para acompanhar a evolução, o ideal é repetir o exame no mesmo serviço.

O grau mostra se a esteatose é grave?

Não diretamente. O grau descreve a quantidade de gordura, não o dano ao fígado. A gravidade da doença hepática depende de dois outros fatores:

  • Inflamação: parte das pessoas com esteatose desenvolve inflamação no fígado, a esteato-hepatite.
  • Fibrose: a inflamação repetida pode deixar cicatrizes. A fibrose é o principal fator que define o risco a longo prazo.

Uma pessoa com esteatose grau 1 pode ter fibrose, e uma com grau 3 pode não ter. O ultrassom comum não mede a fibrose. É por isso que o médico pode pedir exames complementares mesmo diante de um grau 1.

Esteatose grau 1 precisa de tratamento?

Esteatose grau 1 não costuma causar sintomas, mas merece atenção. Ela é um sinal de que o metabolismo merece cuidado, porque a gordura no fígado anda junto com excesso de peso, resistência à insulina, diabetes, colesterol e triglicérides altos e pressão alta.

A boa notícia é que a gordura no fígado pode diminuir. A perda de peso gradual, a atividade física regular e o controle do diabetes e do colesterol são as medidas com mais evidência. Uma perda de 5% a 10% do peso corporal já se associa a redução de gordura no fígado nos estudos. Quem define o plano é o médico, junto com outros profissionais quando necessário. Veja também como tratar a gordura no fígado.

Quais exames costumam vir depois do ultrassom?

O passo seguinte é avaliar se existe fibrose. Os caminhos mais usados:

  1. Exames de sangue e escores: enzimas do fígado (TGO, TGP e GGT), plaquetas e cálculos como o FIB-4, que estima o risco de fibrose a partir de dados simples.
  2. Elastografia hepática: um exame que mede a rigidez do fígado. Quanto mais fibrose, mais rígido o órgão. Ela pode ser feita por ultrassom e não tem agulha. Conheça a elastografia hepática no IMEB.
  3. Ressonância magnética com técnicas específicas: em casos selecionados, quantifica a gordura com precisão e avalia a rigidez.

A biópsia do fígado, que já foi o padrão, hoje fica reservada para casos específicos.

O nome mudou: o que é MASLD?

Em 2023, sociedades internacionais de hepatologia propuseram um novo nome para a forma mais comum da doença: MASLD, ou doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica. O termo antigo era "doença hepática gordurosa não alcoólica" (DHGNA ou NAFLD). A mudança deixa claro o que costuma causar a esteatose: o metabolismo. Laudos e relatórios médicos podem trazer qualquer um dos dois nomes.

O ultrassom de fígado também pode trazer outros achados comuns, como o hemangioma hepático. Quando um achado aparece sem relação com o motivo do exame, ele é chamado de achado incidental. Para entender outros termos do resultado, veja o glossário do laudo de exame de imagem.

Perguntas frequentes

Esteatose hepática grau 1 é perigosa?
Na maioria das vezes, não causa sintomas e pode regredir com mudanças de hábito. O grau, porém, não mostra se há fibrose, e por isso a avaliação médica é importante.

Esteatose grau 2 é pior que grau 1?
Indica mais gordura no fígado, não necessariamente mais dano. A fibrose é o que define o risco a longo prazo.

Esteatose tem cura?
A gordura no fígado pode diminuir e até desaparecer com perda de peso, atividade física e controle metabólico. O acompanhamento é feito pelo médico.

O ultrassom vê fibrose no fígado?
O ultrassom comum não mede fibrose. Para isso existe a elastografia, que avalia a rigidez do órgão.

Quem bebe pouco pode ter esteatose?
Sim. A forma mais comum de esteatose está ligada ao metabolismo, não ao álcool. Quando o consumo de álcool é relevante, o médico avalia os dois fatores juntos.

Fontes: Rinella M.E. et al., consenso multissocietário sobre nova nomenclatura das doenças hepáticas esteatóticas (Journal of Hepatology, 2023); Sociedade Brasileira de Hepatologia, recomendações sobre doença hepática gordurosa; Radiopaedia, "Diffuse hepatic steatosis (grading)"; diretriz EASL–EASD–EASO sobre MASLD (2024).

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