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Marcapasso, stent, DIU ou prótese: posso fazer ressonância magnética?
Por: Dr. Renato Barra

Marcapasso, stent, DIU ou prótese: posso fazer ressonância magnética?

Na maioria dos casos, sim. Ter metal no corpo não impede automaticamente uma ressonância — mas muda o que a equipe precisa saber antes, e às vezes muda o protocolo do exame. O que não funciona é descobrir isso na recepção, no dia.

Este texto explica por que o aparelho se importa com metal, quais implantes exigem atenção e o que levar para o exame sair no dia marcado.

Por que o metal importa

A ressonância não usa radiação. Ela usa um ímã muito potente, ligado o tempo todo, inclusive quando não há exame acontecendo. Esse campo magnético interage com metal de três maneiras:

  • Atração. Materiais ferromagnéticos podem ser puxados ou deslocados. É por isso que objetos soltos jamais entram na sala.
  • Aquecimento. Alguns materiais aquecem durante o exame, o que importa principalmente em fios e eletrodos longos.
  • Interferência. Dispositivos eletrônicos implantados podem ter o funcionamento alterado pelo campo.

Há ainda um quarto efeito, que não é de segurança e sim de qualidade: metal próximo à região examinada cria artefato, uma distorção que apaga parte da imagem. Uma prótese de quadril não impede a ressonância da coluna, mas pode atrapalhar a leitura da bacia.

Tabela por tipo de implante

ImplanteEm geralO que a equipe precisa saber
Marca-passo cardíacoDepende do modeloMuitos modelos atuais são compatíveis com ressonância sob condições específicas. Os mais antigos não são. É indispensável o cartão do dispositivo com marca e modelo, e costuma ser necessária avaliação e programação pelo cardiologista
Desfibrilador implantável (CDI)Depende do modeloMesma lógica do marca-passo, com cuidados adicionais
Stent coronariano ou vascularEm geral compatívelA maioria dos stents atuais permite a ressonância. Informe a data do implante e leve o cartão
Clipe de aneurisma cerebralDepende do materialClipes antigos podem ser contraindicação; os de titânio costumam ser compatíveis. É obrigatório identificar marca e modelo no relatório da cirurgia
Prótese ortopédica, placa, parafuso, hasteEm geral compatívelRaramente impede o exame. Pode gerar artefato se estiver na região examinada
DIU de cobre ou hormonalCompatívelNão impede a ressonância. Informe mesmo assim
Prótese mamária de siliconeCompatívelNão impede. Informe para o protocolo ser ajustado, principalmente em ressonância de mamas
Expansor mamário com válvula metálicaDepende do modeloAlguns têm componente que contraindica. Leve a documentação do implante
Implante coclearDepende do modeloVários modelos exigem condições específicas e alguns contraindicam. Precisa de avaliação prévia
Neuroestimulador, bomba de infusãoDepende do modeloCostuma exigir protocolo específico e orientação do serviço que implantou
Prótese dentária fixa, implante dentário, aparelhoEm geral compatívelPode gerar artefato em exames de crânio e face. Aparelho móvel deve ser retirado
Cápsula endoscópicaAguardarO exame é adiado até a cápsula ser eliminada
Piercing, joia, prótese removível, peruca com presilhaRetirarTudo que sai do corpo sai antes do exame

A tabela é um guia. Quem decide é a equipe que vai realizar o exame, a partir da documentação do seu implante.

O caso que mais gente esquece: estilhaço metálico no olho

Quem já trabalhou com solda, esmeril, tornearia ou metalurgia pode ter um fragmento metálico alojado no olho sem saber. É pequeno, não dói e pode ter entrado há décadas.

Esse é um dos poucos casos em que o risco é sério, porque o fragmento pode se mover dentro do olho durante o exame. Se você teve ou tem esse tipo de ocupação, ou já sofreu acidente com fragmento metálico nos olhos, avise no agendamento. Normalmente é feita uma radiografia simples das órbitas antes, para descartar.

O que levar no dia

  • O cartão do implante, que o fabricante fornece e que traz marca, modelo e número de série. É o documento que resolve a maior parte das dúvidas na hora.
  • O relatório da cirurgia, se você não tiver o cartão.
  • A lista dos seus medicamentos.
  • O pedido médico e exames anteriores da mesma região, se houver.

Se não encontrar o cartão, peça uma segunda via ao serviço que fez a cirurgia. Vale fazer isso com antecedência: sem identificar o modelo, a equipe muitas vezes não tem como liberar o exame.

E se o implante contraindicar mesmo?

Quase sempre existe alternativa. Dependendo da pergunta clínica, a tomografia computadorizada responde ao que o médico precisa saber, e ela não tem restrição a metal. Em outras situações, entram a ultrassonografia ou exames de medicina nuclear.

Essa troca é decisão médica: cada exame mostra uma coisa, e nem toda pergunta aceita substituição. Leve a informação do implante para a consulta e o pedido já sai ajustado.

Perguntas frequentes

Quem tem marca-passo pode fazer ressonância?

Depende do modelo. Muitos dispositivos atuais são compatíveis sob condições específicas, com programação prévia. Modelos antigos podem contraindicar. Leve o cartão do dispositivo e avise no agendamento.

Quem tem stent pode fazer ressonância?

Na maioria dos casos, sim. Os stents usados hoje costumam ser compatíveis. Informe a data do implante e leve o cartão.

DIU impede a ressonância?

Não. DIU de cobre e DIU hormonal não impedem o exame. Ainda assim, informe no agendamento.

Prótese de joelho ou quadril atrapalha?

Em geral não impede o exame. Pode causar artefato na imagem se estiver na região examinada, e nesse caso a equipe ajusta o protocolo.

Implante dentário precisa ser retirado?

Implante fixo não é retirado e normalmente não impede o exame. Aparelhos e próteses removíveis saem antes.

Tatuagem e maquiagem definitiva impedem?

Não impedem, mas alguns pigmentos podem esquentar ou formigar durante o exame. Avise a equipe — existe orientação específica para isso.

Trabalhei com solda. Preciso fazer alguma coisa antes?

Avise no agendamento. Em geral é solicitada uma radiografia das órbitas para descartar fragmento metálico nos olhos antes da ressonância.

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